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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Origem e fim do matriarcado


Sobreviver na pré-história era um milagre diário.
As intempéries climáticas, as doenças, o frio, a fome e os inimigos de toda a espécie, particularmente os animais selvagens, tornavam a vida um fardo pesadíssimo.
Vagueavam errantes à procura da caça, colhiam vagas, grãos e raízes, vestiam-se peles de animais, dormiam em buracos e cavernas.
A caça e a pesca eram exercidas pelos homens, e a recolha de vegetais pelas mulheres. Estas cuidavam ainda das crianças, das lides caseiras, e tratavam dos homens feridos e doentes, o que era frequente, na luta que travavam diariamente.
A caça foi um factor relevante na socialização e solidariedade entre os homens, já que o faziam sempre em grupo coeso, e muitas vezes longe do local onde habitavam. Por sua vez, as mulheres tornavam-se solidárias entre si, e desenvolvendo um grande espírito de interajuda, ficando nos abrigos a cuidar da prol.
Os nómadas acabaram por verificar que, onde havia certas plantas ou cereais, no período seguinte nasciam plantas idênticas. Aprenderam assim que, espalhando os grãos na terra novas plantas surgiam.
Este importantíssimo passo levou ao nascimento da agricultura, e à fixação dos grupos, a um determinado território que, passou a ser a sua terra, a sua região.
Os grupos agora fixados num local, desenvolvem-se a partir de um grupo primário, a que se designa por clã.
Quando as famílias aumentaram, deram origem a novos clãs, que se fixavam próximo do clã original, desenvolvendo-se assim os agrupamentos, que tinham como chefe a matrona da família original, ou uma sua irmã.
Cada membro tinha responsabilidades na angariação de alimentos, na educação dos mais novos, bem como na defesa e protecção de todo o agregado.
Durante toda a época do nomadismo e mesmo no inicio da agricultura, as mulheres eram credoras de grande respeito, assumiam a direcção da economia doméstica, sendo as gestoras do lar, e as verdadeiras organizadoras da actividade produtiva da família.
O equilíbrio das relações era obtido e mantido, graças à reverência à mulher, por direito próprio e não na qualidade de esposa.
Por sua vez o homem não desempenhava qualquer papel nas primeiras relações familiares, a não ser a procura e obtenção de alimentos para o agregado familiar. Não só porque as relações mãe/filho eram fortes e duradouras, como também, porque os graus de parentesco só existiam através da mãe.
No matriarcado os pais eram incógnitos, já que as relações entre o acto sexual e o nascimento de um filho eram desconhecias. Não havia qualquer nexo causa efeito, entre a cópula e a gravidez. As crianças não conhecem nem têm pai. O seu nascimento era devido a geração espontânea, isto é surgiam do nada, atribuído a uma qualquer fenómeno sem explicação minimamente entendível. A mulher aparecia grávida por uma qualquer razão: porque tomava banho num determinado lago, ou porque apanhava sol, ou outra razão qualquer.
A criança era sempre muito bem -vinda e, era sempre e só a família da mãe que a educava e tratava.
A promiscuidade sexual era uma constante, cada homem pertencia a todas as mulheres e cada mulher pertencia a todos os homens.
Porque existiu o matriarcado
Por não se saber quem era o pai, só se conhecia a descendência materna e o local ou origem da mãe. Todas as políticas eram estabelecidas pela mãe, devido ao seu estatuto. Os filhos quando homens, eram seus seguidores e defensores em todas as situações.
As matronas eram proprietárias das casas e das terras, decidiam casamentos e da sorte dos prisioneiros de guerra, nomeavam chefes.
Fim do matriarcado
Com o desenvolvimento da capacidade produtiva: domesticação e criação de gado e a agricultura, dá-se o fenómeno de sedentarização, as relações passam a ser monogâmicas o papel social do pai começa a afirmar-se pouco a pouco.
A mudança da filiação da mãe para o pai tem a ver com a sucessão.
Com o aparecimento do conceito de propriedade mobiliária, aconteceu, segundo Engels, a derrota histórica do sexo feminino
A mulher começa a perder os seus direitos, e, aos poucos transforma-se num simples instrumento de reprodução e de prazer do homem.
O domínio do intelectual torna-se exclusivo do homem.
Ao homem passaram a ser atribuídos os papéis de força, racionalidade, competência, virilidade e inteligência.
À mulher coube-lhe os inomináveis papéis de submissão, secundarismo e até acefalia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Lei da Dádiva


"As Sete Leis Espirituais do Sucesso" de Deepack Chopra, oferece uma visão de como as coisas acontecem quando estamos atentos às leis simples mas infinitamente poderosas que regem a harmonia do universo. É quando as compreendemos e nos sintonizamos com elas que temos maiores probabilidades de alcançar uma serenidade que nos inserirá numa economia de trocas capazes de responder a todas as nossas necessidades, e sobretudo de fazer nascer em nós profundos sentimentos de alegria e de realização pessoal. Tudo isto baseado em sete leis muito simples de pôr em prática.


Porque estamos na época de Natal, escolhi para transcrever a Lei da Dádiva:
O universo opera através da troca dinâmica…
dar e receber constituem diferentes aspectos do fluxo de energia do universo”

Como aplicar a lei da dádiva
1 Onde quer que vá, ou seja quem for que vá encontrar, levo comigo uma oferta. A oferta pode ser um cumprimento, uma flor ou uma oração. Assim darei início ao processo de fazer circular alegria, riqueza e prosperidade na minha vida e nas vidas dos outros.
2 Hoje receberei com gratidão todas as dádivas que ávida me ofertar. Receberei as dádivas da natureza: a luz do sol, o canto das aves, as chuvas de primavera, ou as primeiras neves do Inverno. Também estarei aberto a receber dos outros, seja sob a forma de dádiva material, um cumprimento ou uma oração.
3 Comprometo-me a manter a riqueza a circular na minha vida, dando e recebendo as mais preciosas dádivas da vida: dádiva de carinho, afecto, apreço e amor. Sempre que encontrar alguém, desejar-lhe-ei, em silêncio, felicidade, alegria e prazer.

Deepack Chopra, vive nos EUA, é autor de vários bestsellers e conhecido o mundo inteiro. Médico e cientista, o seu pensamento segue orientações extremamente práticas e dinâmicas e tem-se dedicado intensamente ao estudo da cultura oriental fazendo a ponte com a cultura e ciência ocidentais, nomeadamente nas áreas da medicina, da física e da filosofia.

Fonte: Deepack Chopra em: “As Sete Leis Espirituais do Sucesso”

domingo, 14 de dezembro de 2008

Existe vida para além do ranking?

Há já algum tempo, vínhamos burilando a ideia de partilhar uma notícia, fruto das nossas longas conversas no msn, onde descobrimos muitas coisas em comum e, uma delas, tinha a ver com a maneira como nos posicionávamos no dihitt
Desta vez o João renovou o convite, e eu aceitei. Viemos até aqui dar-vos a nossa visão das coisas.
Eu confesso, estive muito envolvido com posição no ranking, mas posso afirmar que me fez mal, fiquei obcec
ado, passava em media seis horas á frente do computador sentia necessidade de comentar, queria ver minhas noticias como populares, já estava até á perder minha identidade, mas isso foi me estressando, e tive que repensar.
De que vale ficar escravo, deixar tudo de lado para conseguir ser o melhor?Foi então que tive que parar, ou diminuir, e olhe que nem cheguei á postular as primeiras posições, fui o sétimo, mas estava totalmente obstinado queria
subir, e na verdade isso é uma grande bobagem, é apenas uma massagem no ego, de um teor narcisista, acredito.
Tenho tantos amigos aqui, por que desejar ser melhor que eles? Ou mostrar ser?Hoje despenquei no ranking, mas conquistei uma coisa que já não mais sentia o sabor, um belo papo, pelo msn, com tempo, sem aquela angustia por saber o que está passando lá no diHITT.

Eu amo esse ambiente, mas prefiro ter minha autonomia para poder estar lendo uma notícia, às vezes relendo, para que então eu possa estar comentando, essa magica que encontro aqui, confesso, eu tinha perdido, eu queria subir, (deixei a hipocrisia guardada), eu queria subir ao topo, mas posso afirmar, é uma tolice.

Para que sejamos ouvidos, precisamos ser autênticos, falar de coisas que gostamos, dominamos, nunca jamais seguir as tendências, á menos que desejemos ganhar dinheiro, mas esse também não é meu objetivo, não tenho esse talento.


O João foi das primeiras pessoas que conheci, aturava as minhas ansiedades em relação a tudo que aqui se passava, com a tranquilidade que lhe é peculiar.

Muitas horas passámos comentando as nossas notícias, ansiando para que fossem populares, tecendo mil conjecturas sobre o funcionamento desta rede social que nos cativou, a ponto de se tornar uma obsessão.

Cheguei ao 24º lugar do ranking sem me ter apercebido, foi um amigo que, ao dar-me os parabéns, me alertou para o facto. A partir de aí fiquei mais desperta e participativa, mas comecei a sentir-me escrava do sistema. Tinha que, diariamente votar, e comentar, para não perder a posição, e à medida que ia subindo, ia-me viciando cada vez mais.
A tal ponto que, quase organizei a minha vida em função do dihitt. O blog ia-se descaracterizando, uma vez que, não tinha tempo para preparar notícias. Até que, se impôs que eu fizesse uma reflexão sobre o estado das coisas. Quando decidi pertencer a um site social, nunca me imaginei vir a sentir prisioneira. Não nego que tenho prazer em ver o meu blog bem posicionado. O blog, corresponde de alguma forma, a um trabalho que realizo, e que, os meus amigos sancionam com o seu voto.

Mas o lugar no ranking é outro assunto, tem a ver com a disponibilidade mental e de tempo, para ler um significativo número de notícias e comentar quase exaustivamente. Decididamente não era bem isso que eu queria.


Concordo com você Emilia, afinal, qual o verdadeiro sentido do diHITT para você?

Eu vejo esse ambiente como uma grande ferramenta para que possamos implementar um novo conceito de cidadania, juntarmos as pessoas, criarmos uma unidade, enfim, eu quero mudar o mundo, ainda não deixei esse ideal escapar, já paguei um valor altíssimo para chegar até aqui, e finalmente vejo todas as condições enfim criadas, essa é a hora, vamos fazer desse mundo um lugar mais justo, se menos injusto já estarei satisfeito, sei que sozinho certamente serei apenas um quixote, lutador solitário, que invariavelmente me perderei em uma loucura solitária, mas acredito que se juntarmos pessoas em torno de um ideal, aí sim faremos acontecer, com pequenos gestos, podemos construir grandes obras, conscientes que ninguém estará sozinho, e que a cada gesto nosso não deveremos ficar pensando que tal atitude é muito pequena, pode até ser, mas quando somadas á outras e outras, poderemos ver a extensão do feito, somos sim, o que acreditamos ser, devemos ver essa vida como uma grande oportunidade que nos foi dada, para que não apenas passemos por ela, sem deixar nenhum feito, por isso o fato de sermos egoístas, querermos todo o mundo só para nós é um sentimento pequeno, que em nada enaltece nossa passagem.

O dihitt é o lugar apropriado, em língua portuguesa, é capaz de reunir em um ambiente, uma legião de pessoas com cultura semelhante, brasileiros que um dia deixaram a pátria em busca de uma vida melhor, portugueses que colonizaram nossa nação, angolanos, e mais uma incontável legião de pessoas, que a meu ver, podem sim estarem engajados nessa batalha, eu reafirmo que amo o dihitt, mas a ambição pelo ranking, felizmente é coisa do passado, me fez mais mal que bem.


Tens razão João, o dihitt é um excelente meio de socialização, com gente fantástica, muito humana e de grande qualidade, e por quem eu tenho imenso carinho. Dizer que é uma família é banalizar, porque na verdade é bem mais do que isso. As famílias não se escolhem e nós aqui escolhemos os amigos.

Estou aqui pela troca de ideias, o saber mais, partilhar o que sei com os outros, comentar as boas notícias que vão aparecendo, receber comentários, tudo num ambiente saudável e não competitivo que, a meu ver, é a verdadeira razão de ser do dihitt.
O que quero acima de tudo é um blog que vá crescendo em qualidade, e o dihitt é o local ideal para eu fazer essa aprendizagem.

Penso também que haverá pessoas, que, tal como eu fiz, usam o dihitt como tábua de salvação para esquecer outros problemas, ou preencher vazios. Se o dihitt satisfaz essas carências, se as horas aqui passadas têm como prémio um lugar de topo no ranking, isso pode traduzir-se num fortalecimento da sua auto-estima e nesse sentido já é uma mais valia. Não me quero envolver de uma forma compulsiva, não posso esquecer que, há um mundo lá fora à minha espera e que o tempo passa, e o ranking não me dá mais do que uma satisfação fugaz.

Liberta dessa obsessão, estou mais tranquila, mais espontânea, e com uma participação mais positiva, gozando mais o dihitt, porque sou mais eu, livre e descomprometida.

sábado, 13 de dezembro de 2008

TANGO – escape, romance, alma, drama


Há quase um século que o tango apoderou-se de Buenos Aires e hoje ainda ocupa o centro da vida sentimental dos poteños - os habitantes da cidade portuária de Buenos Aires – porque o lirismo ansioso, arrebatador e sublime da música faz parte da definição essencial do que significa pertencer a esta cidade maltratada e resplandecente.

Com efeito durante os dias sombrios de 2002, registou-se um interesse renovado pelo tango: depois da bonança económica do inicio da década de 1990, que encheu Buenos Aires de ostentação, metade da população viu-se arrastada para níveis abaixo do limiar da pobreza pela mais grave crise económica da história da Argentina. Mesmo quando lutavam para conseguir pagar as contas dos serviços públicos ou para evitar o desalojamento, muitas pessoas encontravam um novo significado nesta música nem fácil nem frívola. Bem adequada ao tempo presente.


No final do século XIX, uma vaga de imigrantes europeus, sobretudo italianos, fixou-se na Argentina. Com as suas canções melódicas, enriqueceram o que inicialmente não passava de uma música simples e de uma dança reprovada: o tango.

Buenos Aires consolidou a sua identidade como a cidade imigrante e, nos anos 1920, o tango era a música geralmente aceite. As danças das comunidades de escravos libertos africanos forneceram a base rítmica, cabendo a um instrumento de fole alemão (o bandoneón) os inconfundíveis queixumes lamurientos e o whump-whump subjacente ao som clássico do tango. A música foi igualmente influenciada pelo estilo melancólico dos musicais populares franceses, em grande parte, creio, devido a um tal Charles Gardes- nascido em França, em 1890, e trazido para Buenos Aires pela mãe aos três anos.

Tornado mundialmente conhecido com o nome de Carlos Gardel, foi a verdadeira personificação do romance entre os argentinos e esta canção.
Cantor e compositor brilhante, Gardel tornou o ritmo vigoroso do bordel do tango num lamento duradouro. Cantou de maneira inesquecível os sentimentos que atormentavam os seres humanos em todo o mundo: o fracasso, a passagem do tempo, a morte do amor e a quebra de confiança.

“Mi Buenos Aires querido” entoa o cantor. Os pares tentam coordenar-se: um parceiro não consegue mover-se sem o outro, apenas as mãos do homem dizem à mulher para onde se deve mover e as pernas dizem um ao outro o que fazer, coxa contra coxa. Um, dois, três, quatro, cinco. Buenos Aires mi Buenos Aires.

Sensual. De enternecer. Uma forma de luto ou de escape. Estes são os fascínios do tango, dança devassa e canção melancólica dos bordeís de Buenos Aires dos finais do século XIX.

Fonte: National Geographic – Dezembro de 2003

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Dúvidas sobre um mistério milenar


“Stonehenge ergue-se tão sozinho na história como o está na grande planície! Escreveu o romancista norte-americano Henry James.
Muitas são ainda as dúvidas existentes sobre aquelas pedras colossais que desafiam os ventos e as chuvas há mais de quatro mil anos e que continuam a suscitar perguntas a historiadores e arqueólogos.
Erguido durante o Neolítico na planície de Salisbury, no Sul da Inglaterra, o círculo de Stonehenge, para além das perguntas de “quando” ou “como”, levanta questões ligadas ao “porquê”, já que a sua finalidade e uso continuam um mistério.
Stonehenge tinha sido construído de modo a que o eixo apontasse na direcção do Sol no horizonte, no solstício de Verão.
Como a posição do sol neste local varia anualmente, cálculos efectuados em medos do século XX, indicaram que a última vez que o astro estivera nesse preciso ponto teria sido em 1848 a. C., embora com uma margem de erro de 275 anos.
Ao monumento foram atribuídas várias utilizações desde sepultura a templo solar.
O primeiro anel de buracos no chão com 97,5 m de diâmetro e a disposição dos sucessivos anéis de colunas sugeriam, sem dúvida, um ritual.
Mais recentemente Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas, para onde os doentes viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como «pedras azuis».
Os arqueólogos apontam para o facto de que «um grande número» de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que «cerca de metade» dos corpos era de pessoas que «não eram nativas da região de Stonehenge».
Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado «Arqueiro de Amesbury», cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge.
Alguns arqueólogos acreditam que o arqueiro seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais foram datados entre 2500 a.C. e 2300 a.C.
Análises do cadáver do arqueiro e de artefactos encontrados no túmulo indicam que seria um homem rico e poderoso, com conhecimento do trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas.
Análises também indicaram que sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido a Stonehenge em busca de uma cura.
Contudo não se podem descartar outras teorias sobre a construção do monumento.
Com lendas e superstições a viajar tão longe como as dúvidas, se calhar damos mais valor a Stonehenge pelo mistério que encerra

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

William Turner


Joseph Mallord William Turner (Londres 23 de Abril de 1775 -Chelsea,19 de Dezembro de 1851) foi Foi um pintor romântico. É considerado por alguns um dos percursores do Impressionismo, em função dos seus estudos sobre cor e luz.

Turner dedicou-se à pintura da paisagem com paixão. Foi considerado um dos pintores mais importantes do romantismo. Turner foi extremamente precoce, brilhante e bem sucedido. Iniciou-se na actividade artística aos 13 anos com desenhos e com 15 anos era já um pintor considerado. Era um homem solitário, sem amigos e quando pintava não permitia a presença de pessoas, mesmo que fossem outros artistas.

Uma de suas preocupações principais foi a aplicação da luz e a sua incidência sobre as cores da maneira mais natural possível. Para tal, dedicou-se intensamente ao estudo dos paisagistas holandeses do século XVIII, muito em voga naquela época na Europa. Os temas dos seus quadros eram geralmente paisagens, o mar era também, uma constante nos quadros do pintor inglês.
Com o tempo desenvolveu o seu próprio estilo. Produziu cerca de 20 000 obras. O modo como Turner trata a água, o céu e a atmosfera, afasta-se de todo o realismo natural e transforma-se no reflexo anímico da situação. As pinceladas soltas e difusas dão forma a um torvelinho de nuvens e ondas, a uma desesperança interior que se transmite à natureza, uma das características básicas do romantismo.
A viagem que realizou a Veneza em 1812 teve uma grande relevância na sua pintura, quando o pintor descobriu a importância da cor e conseguiu dar corpo à atmosfera de uma maneira que, anos depois, os impressionistas retomariam.
De 1830 a1840, Turner deixou de lado a forma e criou espaços voláteis de nuvens e cores, como em Chuva, Vapor e Velocidade (1844), por exemplo, que remete aos quadros abstractos de pleno século XX. Com toda a razão foi qualificado por muitos historiadores como o primeiro pintor de vanguarda.






quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Direitos Humanos - Blogagem Colectiva

Millet (1814-1875) pintor francês, um dos principais representantes do realismo. Foi o primeiro a usar a sua arte, para denunciar a dificil situação dos trabalhadores rurais e urbanos.
Cumprem-se hoje 60 anos sobre a aprovação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Para comemorar a data, fiz uma selecção de 8 artigos que andam muito mal tratados

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 4°
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5°
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 24°
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Artigo 25°
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social.

Artigo 26°
1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito

Artigo 27°
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.

2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Recuperemos o Nosso Presente e Conquistemos o Futuro

Salvador Dali
Recuperemos o Nosso Presente
O presente é o nosso principal «activo» é assim porque nos pertence plenamente. É verdade que, por vezes, há circunstâncias que não favorecem um presente cómodo, mas não é por isso que vamos renunciar a ele. Em muitas ocasiões, quando olhamos para trás, vemos como alguns acontecimentos, que então vivemos com tristeza e dificuldade, foram, pelo contrário, cruciais nas nossas vidas. Graças a eles fomos capazes de dar determinados passos que, de outra forma, não teriam ocorrido. Quando olhamos para trás vislumbramos com facilidade as consequências do que vivemos. Pelo contrário é-nos difícil ver o que se passa neste momento diante de nós, o que estamos a viver no presente. Às vezes são apenas necessárias umas horas, ou mesmo uns minutos, para que o que víamos negro e sem solução se nos afigure nítido e claro; mas…continuamos sem aprender, e nas horas seguintes já estamos dispostos a ver novos fantasmas no horizonte.

Se vivermos o presente a pensar no futuro, quando chega o futuro rapidamente o sentimos como passado, e voltaremos a não viver o presente.

A observação do que ocorre à nossa volta, como sempre, é a melhor forma de aprender. Se nos esforçamos para olhar e reflectir sobre o que vemos, percebemos que as pessoas são felizes ou infelizes, não pelo que lhes acontece, mas pela forma como encaramos a sua vida.

Recuperar o presente significa em muitos casos começar a viver; noutros, para recuperá-lo verdadeiramente, teremos de libertar-nos de uma espécie de sequestro ou sequestrador que, sem nos darmos conta, nos está a roubar a vida.

Recuperar o presente, é o melhor presente que nos podemos dar.

Conquistemos o nosso futuro
Preparar-se para o futuro é um dos objectivos em que embarca meia humanidade.
Há pessoas demasiado despreocupadas com o futuro, vivem o presente como se o amanhã não existisse para eles.

Ao contrário outras vivem somente para preparar ou assegurar o futuro. Para elas não há presente, realizam tudo em prol do que virá depois.

Não será melhor que vivamos, a sério, com a melhor das disposições, e com toda a alegria que sejamos capazes de sentir, o nosso presente? E isso sem matar o nosso futuro. Podemos agir razoavelmente para que o nosso futuro seja agradável como o nosso momento actual, mas não há nada que justifique que nos matemos ou imolemos no presente para garantir um futuro que ninguém nos pode assegurar.

A melhor conquista do futuro é o dia-a-dia vivido com alegria, com bom ânimo, com esperança, com projectos; mas também com realidades presentes, com ilusões partilhadas em cada esforço, com uma meta constante na nossa vida: serem o mais felizes que a nossa limitação humana nos permita em cada momento!


Fonte: “A Inutilidade do Sofrimento” de María Jesús Álava Reyes

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Presépio tradicional português

Segundo a tradição católica o presépio surgiu no século XIII, pela mão de S. Francisco d’Assis que quis celebrar o Natal da forma mais realista: montou um presépio de palha, com uma imagem do menino Jesus rodeado de animais reais.O sucesso desta representação na noite de Natal de 1223 foi tal que rapidamente se estendeu por toda a Itália e posteriormente pela Europa e América Latina. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do monarca Carlos III, que a importou de Nápoles no século 18. A sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos estendeu – se ao longo do século 19 e na França nos inícios do século 20.
Presépio Tradicional Português:
Em Portugal, o presépio tem tradições muito antigas e enraizadas nos costumes populares. É montado no início do Advento sem a figura do menino Jesus que só é colocada na noite de Natal, depois da Missa do Galo. Tradicionalmente, é perto do presépio que são colocados os presentes que são distribuídos depois de se colocar a imagem do Menino Jesus. O presépio é desmontado a seguir ao Dia de Reis.
O Presépio Tradicional Português é, ao contrário do que encontramos nos outros países, formado por figuras tão diversas que não correspondem exactamente à época que deveriam representar. À excepção das figuras da Sagrada Família (São José a Virgem Maria e o Menino Jesus), dos pastores e dos Três Reis Magos, todas as restantes figuras que surgem no Presépio Tradicional Português foram adicionadas com vista a dar uma representação "mais portuguesa" à história da Natividade. Assim, podemos encontrar figuras como: um moleiro e o seu moinho, uma lavadeira, alguns bailarinos de um ranchos folclóricos, uma mulher com um cântaro na cabeça, entre muitos outros personagens divertidos e tipicamente portugueses. A origem destas peças é da Região do Norte de Portugal e, ainda hoje, são todas produzidas com origem artesanal.
Por sua vez, no Alentejo o Presépio mais característico é o de Estremoz.
As cenas da Natividade de setecentos, modeladas ao modo de Estremoz, resultam do trabalho das barristas de adaptação ao gosto e tradição local, dos grandes Presépios realizados em barro por artistas como Joaquim Machado de Castro
Durante o Regime do Estado Novo aos bonecos de Estremoz é dado um novo alento, conhecendo os Presépios locais uma fantástica inovação, que substituiu mesmo a antiga tradição.
Nos anos 30, o Director da Escola de Artes e Ofícios local, o gaiense José Maria Sá Lemos, com a preciosa assistência do Mestre Oleiro Mariano da Conceição, junta os famosos Tronos de cascata de santo António, com as principais figurinhas que compõem um Presépio. A cena passa então a ser composta por 9 peças, mais o Trono (ou Altar como alguns lhe chamam), onde estão os três Reis Magos no degrau maior, estando ao meio a Sagrada Família com o Menino dentro da manjedoura, e no terceiro e último degrau estão três Pastores ofertantes. Hoje é este o Presépio que se considera tradicional em Estremoz.