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domingo, 15 de março de 2009

Karni Mata - O templo dos ratos



Para a maioria dos povos, sobretudo os ocidentais, os ratos são conhecidos especialmente pelo risco à saúde, são portadores de variadas doenças transmissíveis ao homem, como a leptospirose - peste bubônica - e hantavírus – febre hemorrágica viral, febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR); e a síndrome pulmonar por hantavírus (SPHV), infecções muito graves - além de ser hospedeiro para outras doenças.
Na Índia são divindades. Existe um templo, Karni Mata, dedicado aos ratos. Estes animais são venerados como deuses e recebem oferendas em alimentos, podendo - se alimentar, reproduzir e viver à vontade dentro do templo.
As pessoas visitam os animais e a quantidade de ratos é tão grande que às vezes pisam nos ratos e sem querer, matando o animal. Nestes casos é necessário que se pague o peso do rato em ouro para confortar a pobre alma do ratinho.
Existem no local cerca de 10.000 ratos e muitas pessoas entram lá descalças, pisando sobre as suas fezes. Muitas compartilham o próprio alimento com os ratos, já que isto é considerado uma honraria e ingerem o alimento mesmo após os ratos terem comido e andado sobre ele.
O governo indiano precisou de ajuda para alimentar 120.000 pessoas que ficaram sem ter que comer porque os ratos comeram tudo. O governo, para dar conta da quantidade de ratos existente, organizou uma competição de matadores de ratos. Ao todo, os fazendeiros mataram 25 milhões de ratos. O problema dos ratos lá é tão sério que as estatísticas apontam para a absurda marca de 10% total de perda para os roedores em toda a produção agrícola da Índia!

Respeito a cultura de cada povo, e não sou contra o facto de divinizarem os ratos, mas deveriam ser mais contidos nas suas manifestações de fé, não pondo a saúde em risco.

Cultura é cultura! O que pensa?...

sábado, 14 de março de 2009

Desejo a vocês - poema de Carlos Drummond de Andrade


Desejo a vocês
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com os amigos
Viver sem inimigos
Filme na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Ouvir uma palavra amável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir não
Nem nunca, nem jamais
Nem adeus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Tomar banho de cachoeira
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas com alegria
Uma tarde amena
Calçar um chinelo velho
Tocar violão para alguém
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Ganges entre o divino e o horror


O Ganges, com seus 2.510 km de percurso, é considerado um rio sagrado, e venerado por representar a deusa "Ganga". O rio mais importante da Índia é meta de milhões de hinduístas que, todos os anos, fazem nas suas águas as suas abluções sagradas, para se purgarem dos seus pecados. As águas do Ganges recebem anualmente, cerca de 100 kg de cinzas dos mortos cremados nos rituais hinduístas de purificação da alma, e intensas descargas industriais de esgotos e pesticidas.
Somente na cidade de Varanasi são 32 saídas de esgoto para o rio, o que torna o ritual hindu extremamente desagradável e perigoso.
A Organização Mundial de Saúde, está estudar uma forma de despoluir este rio, que é a principal causa da mortalidade infantil da região devido às substancias tóxicas ali depositadas.
Estas são as imagens assustadoras que diáriamente podemos ver no rio sagrado da Índia











quarta-feira, 11 de março de 2009

Lei do menor esforço


No livro “ As sete leis espirituais do sucesso” Deepack Chopra apresenta-nos a lei do menor esforço.

Na ciência védica, a ancestral filosofia da Índia, este principio é conhecido como o principio da economia de esforço, ou «faça menos e realize mais». Atinge-se um estado em que não se faz nada e realiza-se tudo. Isto significa que existe apenas uma ténue ideia e a manifestação dessa ideia surge sem esforço.
Se observar a natureza em acção verá que o esforço despendido é mínimo. A relva não se esforça para crescer. Os peixes não se esforçam para nadar, mas nadam. A inteligência da natureza funciona sem esforço, nem fricção, com espontaneidade. E quando nos encontramos em sintonia com a natureza e adquirimos o conhecimento do nosso eu, estamos aptos a aplicar a lei do menor esforço
Como aplicar
É necessário aplicar a aceitação. Aceitar as pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrem. Reconhecer que determinado momento é o que deveria ser, porque todo o universo é como deveria ser. Não lutar contra o universo, lutando contra o momento presente. Aceitar as coisas como são no momento e não como gostaria que fossem
Depois de aceitar as coisas como elas são, aceite a responsabilidade pela sua situação e por todas as ocorrências que lhe parecem problemas. Aceitar a responsabilidade significa não culpar ninguém, nem nada, pela situação (incluindo-se a si próprio) Saber que em cada problema se encontra oculta uma oportunidade, permite-lhe aceitar o momento que passa e torná-lo melhor.
Por fim o distanciamento. Renunciar à necessidade de defender os seus pontos de vista. Não sentir a necessidade de convencer ou persuadir os outros a aceitarem os seus pontos de vista. Permanecer aberto a todas as opiniões e não ser rígido em relação a nenhuma.

Fonte: "As sete leis espirituais do sucesso" de Deepack Chopra

terça-feira, 10 de março de 2009

Homem de Vitrúvio


A imagem de um homem com dois pares de braços estendidos tem enfeitado paredes, pelo menos, durante duas gerações, “O Homem de Vitrúvio”.
Vitrúvio, engenheiro, arquitecto e escritor, viveu em Roma entre o final do sec.I a.C e o início do sec. I d.C..Escreveu um extenso livro, “De Architectura”, contendo dez capítulos enciclopédicos, nos quais discute aspectos do planeamento, engenharia e arquitectura de uma cidade romana, mas também inclui uma secção sobre as proporções humanas.
Diz na sua obra que as medidas do corpo humano são distribuídas pela natureza, da seguinte forma: que 4 dedos fazem um palmo, e 4 palmos fazem um pé, 6 palmos fazem o cúbito, 4 cúbitos fazem a altura do homem. E 4 cúbitos fazem 1 passo e 24 palmos fazem um homem; e foram estas medidas que usou nos seus edifícios.
A composição O Homem de Vitrúvio, tal como é ilustrada por Leonardo da Vinci, é na íntegra, baseada no tratado acima citado, escrito por Vitrúvio, sobre as dimensões do corpo humano; as quais se vieram a mostrar estarem grandemente correctas, sendo a ênfase dada à racionalização da geometria, por meio de pequenos números inteiros, para construir uma composição.

domingo, 8 de março de 2009

Pintura Metafísica de Giorgio De Chirico

A Pintura Metafísica foi um estilo criado em 1913 por Giorgio de Chirico e que acabou popularizando-se na Itália, sendo adoptada por outros artistas, em especial Carlo Carrá e Giorgio Morandi.
Este estilo de pintura cria um impressão de mistério, através de associações pouco comuns de objectos totalmente imprevistos, explora os efeitos de luzes misteriosas, sombras sedutoras e cores ricas e profundas, de plástica despojada e escultural. Tem inspiração na Metafísica, ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural.
A Pintura Metafísica antecipa certos aspectos do Dadaísmo, ao aproximar objectos díspares, e também do Surrealismo, ao representar um clima onírico
Giorgio de Chirico (1888-1978) foi um pintor italiano nascido na Grécia. Segundo ele, para que fosse verdadeiramente imortal, uma obra de arte teria que abandonar por completo os limites do humano.
Retratava nas suas obras cenários arquitectónicos, solitários, irreais e enigmáticos, onde colocava objectos heterogéneos para revelar um mundo onírico e subconsciente, perpassado de inquietações metafísicas.
Das suas composições fazem parte elementos arquitectónicos como colunas, torres, praças, monumentos neoclássicos, chaminés de fábricas etc. construindo, paradoxalmente, espaços vazios e misteriosos. As figuras humanas, quando presentes, carregam consigo forte sentimento de solidão e silêncio. São meio-homens, meio-estátuas, vistos de costas ou de muito longe. Quase não é possível entrever rostos, apenas silhuetas e sombras, projectadas pelos corpos e construções.






sábado, 7 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher - Poema de Florbela Espanca

Para comemorar este dia escolhi um poema de Florbela Espanca, uma grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX. Florbela retrata na sua poesia uma imensa ternura e um desejo de felicidade e plenitude que é comum a todas as mulheres

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

quinta-feira, 5 de março de 2009

Quem foi Patânjali?

Considerado um siddha (iogue perfeito), Patânjali teria vivido na Índia por volta do século 4 d.C.. O “Caminho Óctuplo” (Ashtanga Yoga) atribuído a ele, e que inclui a meditação, a ioga, e algumas posturas de vida, define um sistema espiritual completo, que qualquer um de nós pode tentar colocar em prática.

Ele é constituído por:
• Autocontrole (yama), que compreende cinco “nãos”: não à violência, não à mentira, não ao roubo, não à sexualidade descontrolada, não à avidez (por comida, riqueza ou poder);

• Observância (nyama), que compreende cinco “sins”: pureza, contentamento, prática constante, auto-estudo, devoção ao Divino. O autocontrole e a observância permitem-nos superar tendências negativas como a avidez e desenvolver atitudes positivas como o contentamento.

• Postura física (asana); flexibiliza, fortalece e alinha o corpo.

• Controle da respiração (pranayama); juntamente com as posturas físicas, direciona a força vital (prana) para a ativação dos centros energéticos (chakras) e a ampliação da consciência.

· Recolhimento da atenção (pratyahara); juntamente com a concentração nos liberta do turbilhão de sensações, sentimentos e pensamentos e direcionam a força mental para o Divino.

• Concentração (dharana)

• Meditação (dhyana)

• Êxtase místico ou superconsciência (samadhi).

Fonte: Revista Veja Novembro de 2008

quarta-feira, 4 de março de 2009

Manuscritos do Mar Morto

Os Pergaminhos do Mar Morto, ou manuscritos do Mar Morto são uma colecção de cerca de 850 documentos (em papiro), incluindo textos do Tanakh (Bíblia Hebraica), que foram descobertos entre 1947 e 1956 em 11 cavernas próximo de Qumran, uma fortaleza a noroeste do Mar Morto. Foram escritos em Hebraico, Aramaico e Grego, entre o século II a.C. e o primeiro século depois da nossa era, representando vários pontos de vista, incluindo as crenças dos Essénios e outras seitas, e guardados em rolos cuidadosamente envolvidos em panos de linho, e colocados dentro de vasilhas de barro.
Há fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento (excepto do Livro de Ester), de muitos dos livros judeus não canónicos conhecidos, e inclusivamente de outros até então desconhecidos, e apareceu um bom número de escritos próprios do grupo sectário dos Essénios que se tinham retirado para o deserto.
Os textos encontrados coincidem com os medievais, embora sejam quase mil anos anteriores, e as poucas variantes que apresentam coincidem em grande parte com algumas já testemunhadas pela versão grega, chamada dos Setenta, ou pelo Pentateuco samaritano.
Entre os textos de Qumran não há nenhum texto do Novo Testamento, nem nenhum escrito cristão.
Muitos destes manuscritos estão guardados em diversas universidades, em Israel, Estados Unidos, França e Inglaterra. A grande preocupação dos estudiosos da bíblia é provar a ligação de Jesus aos Essênios

Quem foram os Essénios
O mosteiro cujas ruínas se encontravam nas proximidades das cavernas onde os rolos foram encontrados, tinha sido habitado por um grupo de judeus pertencente as seitas dos essênios. Os primeiros religiosos essênios haviam chegado àquela desértica região às margens do Mar Morto por volta do ano 200 antes de Cristo. Os monges durante o dia trabalhavam nas hortas teciam linho, providênciavam a sua subsistência. À tarde liam, meditavam, oravam e entregavam – se à importantíssima tarefa de preparar cópias fiéis dos manuscritos antigos, para que a Palavra de Deus não se perdesse.
No ano 70 depois de Cristo, o mosteiro de Qumran foi agitado pela notícia do fracasso da revolta judaica contra o governo romano, que até então dominara a Palestina. Os monges essênios sabiam que tinham que abandonar Qumran pois a X Legião Romana não tardaria a aparecer para matá-los e destruir o mosteiro. A sua grande preocupação foi esconder todos os livros da biblioteca.
Graças ao clima seco do lugar onde os potes foram guardados, os manuscritos puderam resistir a passagem de quase 19 séculos, vindo a ser descobertos por um pastor beduíno da tribo dos Tamirés