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segunda-feira, 30 de março de 2009

E se Judas não fosse o vilão que traiu Jesus?


O Novo Testamento diz que Judas Iscariot é o discípulo que traiu Jesus. Durante séculos o seu nome tem sido sinónimo de deslealdade e traição.
Uma das descobertas mais importantes da Arqueologia Bíblica traz uma nova versão da traição a Jesus. Descoberto por acaso nos anos 70 o manuscrito contendo o Evangelho de Judas, vendido duas vezes e roubado uma, foi finalmente entregue pela antiquária Frieda Nussberger-Tchacos, à Fundação Mecenas de Arte Antiga em Basileia na Suíça.
O Evangelho de Judas apresenta uma versão perdida dos últimos dias de Jesus, usando recriações dramáticas para retratar e esclarecer a complexa história de intriga e acções politicas dos primeiros dias do Cristianismo.
Encadernado em tecido e redigido em língua copta, o manuscrito - ou códice data dos secs. III ou IV e constitui a única cópia conhecida do Evangelho de Judas, cujo original terá sido escrito em grego por um grupo de gnósticos, antes do ano 180. A análise das 26 páginas do papiro, sugere que Judas estaria, afinal, a cumprir os desejos de Jesus quando o entregou às autoridades.
“O relato secreto da revelação que Jesus fez a Judas Iscariot durante uma semana, três dias antes de celebrar a Páscoa” – assim começa o texto deste Evangelho, revelado à comunidade internacional em 7 de Maio de 2006 numa exposição na sede da National Geographic em Washintgton. Noutra passagem, vista como um momento chave da narrativa, Jesus diz a Judas: “ …irás superá-los a todos. Pois irás sacrificar o corpo que me reveste.”
E por várias vezes o apóstolo maldito, por ter entregue Jesus aos romanos, surge destacado. “Afasta-te dos outros e contar-te-ei os mistérios do reino. Irás alcançá-los, mas sofreras muito”, diz-lhe Jesus, afirmando ainda: “…serás maldito pelas outras gerações, e mandarás nelas.”
“O Evangelho de Judas transforma o acto de traição de Judas num acto de obediência”, diz Craig Evans, um conceituado professor do Novo Testamento do Acadia Divinity College, situado em Wolfville, na Nova Escócia.
O manuscrito contendo o Evangelho de Judas, e que resistiu ao tempo, foi provavelmente escrito por volta de 300 d.C. No entanto, a primeira referência que se tem notícia sobre este evangelho data de 180 d.C. quando Irineus, um Bispo Cristão bastante influente, o denunciou como herege. Até então, existiam vários registos da vida e época de Jesus, escritos por vários cristãos durante os 150 anos que sucederam à sua morte, em mais de 30 evangelhos. O Bispo ajudou a elucidar a mensagem cristã argumentando que deveriam existir apenas 4 evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Todos os outros, incluindo o Evangelho de Judas, foram condenados e banidos pelos primeiros sacerdotes da Igreja.
Uma exímia equipe formada por cientistas e estudiosos da Bíblia verificaram a autenticidade deste manuscrito. O processo, envolveu datação por radiocarbono, análise de tinta, imageamento multiespectral, evidência contextual e outros. O trabalho foi difícil segundo Rodolfo Kasser, o principal tradutor do manuscrito. Para Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton, a descoberta “ derruba o mito de uma religião monolítica e mostra quão diverso e fascinante era o movimento cristão primitivo”.
Fonte: National Geographic (Maio de 2006), Jornal de Notícias Maio de 2006

quinta-feira, 26 de março de 2009

Movimento natureza - As árvores




Árvores do Alentejo

Horas mortas? Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido? e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro e giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
pedindo a Deus a minha gota de água.



Florbela Espanca

terça-feira, 24 de março de 2009

Anagramas, faça o seu...

Um anagrama (do grego ana = "voltar" ou "repetir" + graphein = "escrever") é uma espécie de jogo de palavras, resultando do rearranjo das letras de uma palavra ou frase para produzir outras palavras, utilizando todas as letras originais exactamente uma vez. Um exemplo conhecido é o nome da personagem Iracema claro anagrama de América.

Os anagramas podem ser simples ou múltiplos. Deixo aqui alguns exemplos.
Prato, Tropa, Parto, Porta, Rapto…

Arte, tear, ater…

Casar, sacar, rasca, …

Roma, amor, ramo, mora…

Velas, levas, selva, vales…

Leonardo da Vinci usava anagramas para proteger os seus estudos contra espiões.
Faça o seu e verá que é divertido.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Aleijadinho, o arquitecto e escultor da época colonial

António Francisco Lisboa, mais conhecido por Aleijadinho, nasceu em Vila Rica em 1730. Nasceu bastardo e escravo, uma vez que era filho natural do arquitecto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas. Na sua formação teve provavelmente como mestre, seu pai, arquitecto de grande projecção na época e o pintor e desenhista João Gomes Baptista.
Igreja de S. Francisco em Ouro Preto
Da sua formação como escultor pouco se sabe, mas pensa-se que tenha tido aprendido com Francisco Xavier de Brito e José Coelho Noronha, ambos artistas entalhadores de renome.

Por volta de 1777, quando estava empenhado na execução do projecto arquitectónico e construção da Igreja de S. Francisco de Assis, em Vila Rica, desenvolveu uma doença degenerativa dos membros, que lhe comprometeu os movimentos, ficando mesmo sem os dedos das mãos e dos pés. Para poder trabalhar, um ajudante amarrava-lhe as ferramentas aos membros. Dessa anomalia causada pela doença surge o apelido de aleijadinho.
Em 1796, dedica-se à produção de escultura, obras primas policromadas, dos personagens das sete cenas da Paixão de Cristo e os doze profetas do adro, em pedra sabão, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.

Cristo carregando a cruz - Congonhas

Entre 1796 e 1799, realiza 66 estátuas em tamanho natural, em cedro, para a Via Crucis, para seis capelinhas votivas, inspirando-se no conjunto do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal. Realizou ainda alguns conjuntos escultóricos como a prisão de Cristo constituído por 8 figuras e a flagelação e coroação de espinhos. São ainda dignas de referência, Cristo no Horto, e várias outras esculturas religiosas em pedra sabão.

O conjunto monumental de Congonhas representa a obra-prima do artista., mas são também da sua autoria a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de S. José, Matriz de Nossa Senhora do Pilar, o Chafariz do Pissarão e o Palácio dos Governadores.

Apesar de ter granjeado fama e prestígio em vida, sendo considerado o primeiro artesão colonial a ascender à dignidade de artista, Aleijadinho morreu pobre e abandonado. Mas a sua obra permanece como um registo genial da grande festa do ouro, cultura e arte, nas minas da época colonial.

Não perca de vista os seus objectivos

A solidão instala-se quando perdemos de vista os nossos objectivos
Encontrei vagueando pela net frases que nos levam a reflectir e motivam na prossecução dos nossos objectivos.

- Os nossos objectivos apenas podem ser alcançados através de um plano, no qual acreditamos sem reservas, e sobre o qual agimos de forma enérgica. Não existe outra forma para o sucesso.
Stephen A. Brennan

- Quando estamos motivados por objectivos que têm um significado profundo, por sonhos que necessitam de ser completados, por amor que precisa ser expressado, então viveremos a vida verdadeiramente.
Greg Anderson

- Sem objectivos e planos para os alcançar, somos como um navio que navega sem destino.
Fitzhugh Dodson

- Eu acho que o passo mais importante em cada conquista é especificar um objectivo. Isto permite que a sua mente se foque no objectivo e não nos obstáculos que irão surgir quando tenta fazer o melhor.
Kurt Thomas

- Os altos e baixos da vida fornecem janelas de oportunidades para determinar os seus valores e objectivos. Pense em usar todos os obstáculos como pedras para construir a vida que deseja.
Marsha Sinetar

- Os objectivos são sonhos com prazos.
Diana Scharf Hunt

- O homem é um animal à procura de objectivos. A sua vida apenas tem significado se ele se esticar para atingir os objectivos.
Aristotle

- Os nossos planos não funcionam porque não fazemos pontaria. Quando o homem não sabe para onde atirar, não existe nenhum vento correcto.
Seneca

- Os obstáculos são aquelas coisas horríveis que aparecem quando tira os olhos dos objectivos.
Sydney Smith

Quando alguém como eu tem um blog

O que é um Blog?
“A definição de Blog não é consensual. Um Blog é um registo cronológico e frequentemente actualizado de opiniões, emoções, factos, imagens ou qualquer outro tipo de conteúdo que o autor ou autores queiram disponibilizar. Existem muitos tipos de Blogs, ouve-se muitas vezes a expressão “Diário virtual” para descrever o Blog, o SAPO pensa que um Blog pode ser muito mais do que isso. Depende apenas e só do que o autor ou autores queiram que o seu Blog seja.”

Quando criei o meu blog, decidi que seria a extensão da minha sala de aula, que falaria do que gosto do que sei, do que me dá prazer.
Gosto de ensinar, de partilhar conhecimento, mas não gosto de falar de mim, do que sou, do que sinto. O que penso, dentro da linha do meu blog está lá expressa.
Para o registo da viagem da minha vida, tenho os meus caderninhos onde diariamente anoto momentos que, não gosto de partilhar, mas que gosto de recordar mais tarde.
Tenho muita dificuldade e, chamem-lhe insegurança se quiserem, de expor os meus sentimentos e emoções para quem não vejo. Quando falo de mim, gosto de o fazer cara a cara, observando a reacção das pessoas, envolvendo-me fisicamente nessa partilha. Admiro profundamente e invejo até, quem o consegue fazer. Pessoas que com uma fluência incrível descrevem situações na primeira pessoa, histórias maravilhosas que me encantam.
Da mesma forma que preservo o que penso e o que sinto, preservo os meus. São maneiras de estar, de ser e de fazer, não tem nada a ver com a falta de coragem, falta de opinião ou inércia, são diferentes posturas em relação à vida.
E porque a minha postura é esta o meu blog tem menos qualidade?

domingo, 22 de março de 2009

Para a Lu um abraço de parabéns

Para a minha amiga Luciana com um grande abraço de parabéns
A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim
não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que
caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


Cecília Meireles