António Francisco Lisboa, mais conhecido por Aleijadinho, nasceu em Vila Rica em 1730. Nasceu bastardo e escravo, uma vez que era filho natural do arquitecto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas. Na sua formação teve provavelmente como mestre, seu pai, arquitecto de grande projecção na época e o pintor e desenhista João Gomes Baptista.
Igreja de S. Francisco em Ouro Preto
Da sua formação como escultor pouco se sabe, mas pensa-se que tenha tido aprendido com Francisco Xavier de Brito e José Coelho Noronha, ambos artistas entalhadores de renome.
Por volta de 1777, quando estava empenhado na execução do projecto arquitectónico e construção da Igreja de S. Francisco de Assis, em Vila Rica, desenvolveu uma doença degenerativa dos membros, que lhe comprometeu os movimentos, ficando mesmo sem os dedos das mãos e dos pés. Para poder trabalhar, um ajudante amarrava-lhe as ferramentas aos membros. Dessa anomalia causada pela doença surge o apelido de aleijadinho.
Em 1796, dedica-se à produção de escultura, obras primas policromadas, dos personagens das sete cenas da Paixão de Cristo e os doze profetas do adro, em pedra sabão, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.
Cristo carregando a cruz - Congonhas
Entre 1796 e 1799, realiza 66 estátuas em tamanho natural, em cedro, para a Via Crucis, para seis capelinhas votivas, inspirando-se no conjunto do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal. Realizou ainda alguns conjuntos escultóricos como a prisão de Cristo constituído por 8 figuras e a flagelação e coroação de espinhos. São ainda dignas de referência, Cristo no Horto, e várias outras esculturas religiosas em pedra sabão.
O conjunto monumental de Congonhas representa a obra-prima do artista., mas são também da sua autoria a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de S. José, Matriz de Nossa Senhora do Pilar, o Chafariz do Pissarão e o Palácio dos Governadores.
Apesar de ter granjeado fama e prestígio em vida, sendo considerado o primeiro artesão colonial a ascender à dignidade de artista, Aleijadinho morreu pobre e abandonado. Mas a sua obra permanece como um registo genial da grande festa do ouro, cultura e arte, nas minas da época colonial.