domingo, 13 de fevereiro de 2011
Com papas e bolos se enganam os tolos
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A felicidade é uma coisa boa e tão delicada também
Fonte: Wikipédia
Conceitos sobre a felicidade
Louis Pauwels, in "Carta Aberta às Pessoas Felizes"
Jean-Jacques Rousseau, in 'Devaneios de um Caminhante Solitário'
José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'
Feliz só será
A alma que amar.
Estar alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.
Goethe, in "Canções
O Primeiro Dia
A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ao desconcerto do Mundo
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Os dois lobos
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Vulcão da Islândia Eyjafjallajökull
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Já agora... Em Portugal tudo se arranja…
“Arranjar
Em Portugal, como todos sabem, é muito raro conseguir seja o que for. Em contrapartida tudo se arranja. O arranjar hoje é a versão portuguesa do conseguir. É verdade que “Quem espera sempre alcança”, mas como ninguém está para esperar, em vez de alcançar o que se quer, arranja-se outra coisa qualquer.
No fundo é talvez por não se terem as coisas que elas se têm de arranjar. Não se tem tempo, mas arranja-se. Já não há bilhetes, mas conhece-se alguém que os arranja. Ninguém tem dinheiro mas vai-se arranjando para o tabaco.
O próprio sistema político, económico, cultural, social estimula uma atitude para com o cidadão que se traduz pela expressão ”arranjem-se como puderem”. E o cidadão lá se vai arranjando. O mais das vezes este apelo constante ao improviso, à cunha e ao desenrascanço leva aos piores resultados. A continuar assim, o país está bem arranjado (…)”
“Já agora
Há uma instituição portuguesa que é única no mundo inteiro. É o “já agora”. Noutras culturas, tratar-se-ia de um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo.
O “Já agora” e a variante popular “Já que estás com a mão na massa…”, significam a forma particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses não gostam de dizer que querem as coisas. Entre nós o querer é considerado uma violência. Por isso, quando se chega a um café, diz-se que se queria uma bica, e nunca que se quer uma bica. Se alguém oferece, também, uma aguardente, diz-se “Já agora…”. Tudo se passa no pretérito, no condicional, na coincidência (…)”
Excertos de crónicas de Miguel Esteves Cardoso
Miguel Vicente Esteves Cardoso nascido em Lisboa em 1955, é um crítico, escritor e destacado jornalista português.

