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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Teodora – de meretriz a imperatriz

teodora-de-bizancio

Nasceu no Império Bizantino em 500 e era filha de Acácio, um tratador de ursos do circo. Acácio faleceu deixando 3 filhas de tenra idade, entre elas, Teodora. À medida que cresciam em idade e beleza, as três irmãs devotaram-se sucessivamente aos prazeres públicos e privados do povo bizantino. Teodora dedicou-se ao teatro burlesco como actriz cómica, o seu talento tendia para o que chamaríamos de comédia física, o teatro inteiro de Constantinopla vinha abaixo com risos e aplausos. Era uma jovem bonita de figura pequena mas elegante, pele suave um pouco pálida de traços finos e delicados, olhos expressivos que faziam cair de amores qualquer um. Teodora exibia sem vergonha cenas de nu no palco, seus encantos venais eram prodigalizados a uma turba promíscua de cidadãos e forasteiros de toda classe e profissão. Enquanto seu avanço na sociedade bizantina subia e descia, ela fez uso de cada oportunidade.

Foi amante de Hécebolo governador de Pentápolis de quem teve um filho, mas a relação durou pouco, Hécebolo não estava disposto a sustentar a dispendiosa e infiel amante. Abandonada em Alexandria, à extrema miséria, durante o seu laborioso retorno a Constantinopla, todas as cidades do Oriente admiraram e desfrutaram a bela cipriota cujo mérito parecia justificar o seu nascimento na ilha de Vénus.

Chegada a Constantinopla Teodora decide-se por uma postura mais decorosa e dedica-se à profissão de fiandeira, vivendo numa casinha modesta que mais tarde transformou num sumptuoso templo. A sua beleza logo seduziu o nobre patrício Justiniano que, reinava com poderes absolutos em nome do tio. Fazendo-se pudica, retardando qualquer avanço do apaixonado amante, Teodora ganhava pontos. Justiniano pôs-lhe aos pés os tesouros do Oriente e mostrou-se disposto a casar com a sua deusa a qualquer custo.

A lei romana proibia o casamento de um senador com uma mulher que tivesse sido desonrada por uma origem servil ou pela profissão teatral. Ao casamento oponham-se a Imperatriz e a mãe de Justiniano, mas este aguardou tranquilamente pela morte da Imperatriz, e desprezando os conselhos e lágrimas da mãe, fez promulgar uma lei que facultava através de um glorioso arrependimento, às desditosas mulheres que se houvessem prostituído no teatro, contrair uma união legal com romanos ilustres.

Assim em 523 casou Teodora com Justiniano e em 527, o patriarca de Constantinopla coloca-lhes o diadema do imperador e da imperatriz do Oriente. A prostituta que, na presença de inúmeros espectadores, tinha corrompido o teatro de Constantinopla, foi adorada como rainha na mesma cidade por graves magistrados, bispos, ortodoxos, generais vitoriosos e monarcas cativos. Teodora mostrou ser uma boa governante, lutou para dar às mulheres os mesmos direitos legais que os homens, garantindo – lhes maiores direitos em caso de divórcio e permitindo – lhes possuir e herdar propriedades, criou ainda casas para ex-prostitutas. Há quem diga que as recolhia nas ruas mesmo contra a sua vontade. Mas da mesma forma que se mostrou generosa também se mostrou implacável para com as pessoas que desaprovava. Os seus numerosos espiões observavam e zelosamente e relatavam qualquer acção, palavra ou expressão injuriosa à sua pessoa. Quem lhe desagradasse era atirado às prisões privativas da imperatriz, inacessíveis e por lá ficavam até à morte.

Justiniano idolatrava a mulher e apesar de esta nunca lhe ter conseguido dar um filho, seu domínio era permanente e absoluto, preservou pela astúcia ou pelo mérito, o afecto do Imperador. Teodora morre por volta dos 50 anos, 20 anos antes de Justiniano. Seu corpo foi enterrado na igreja dos Santos Apóstolos, um dos mais esplêndidos templos que o imperador e a imperatriz construíram em Constantinopla. Junto com o marido, ela é santa da Igreja católica Ortodoxa, comemorada a 14 de Novembro.

domingo, 6 de setembro de 2009

Vícios e virtudes de Lucrécia Bórgia

Leonardo_LucreziaBorgia Desenho de Leonardo da Vinci

Lucrécia nasceu em Roma no ano de 1480, filha de Roderigo Gil de Borja i Borja mais tarde papa Alexandre VI e de sua companheira Vanozza. Para além de Lucrécia o casal teve mais três rapazes, César (1475) Giovanni (1477) e Geofredo (1481). Viviam uma infância feliz junto de sua dedicada mãe numa casa perto de Roma. Aos nove anos Lucrécia foi separada da família indo viver na companhia de uma dama da nobreza Romana, Adriana de Mila, a fim de receber uma educação esmerada e erudita ao lado da rigorosa senhora. Por sua vez o seu irmão César seguiu a carreira religiosa por imposição do pai e Giovanni seguiu para Espanha.

O filho de Adriana, Orsino Orsini com a mesma idade de Lucrécia era casado com Giulia Farnese beldade de 14 anos, que veio a tornar-se amante de Rodrigo e em virtude disso, grande amiga de Lucrécia. Sobre a influência mundana de Giulia, Lucrécia em quatro anos transforma-se numa sedutora mulher.

A menina que era em 1489, era agora precocemente uma mulher fatal que já tinha desejos carnais activos. O seu belo corpo não aparentava treze anos mostrando formas sensuais capazes de chamar a atenção de qualquer homem. Nesta altura casa com Giovanni Sforza, não se tendo consumado o casamento devido à idade da noiva. Os dois anos que separaram o casamento da consumação, marido e mulher passaram totalmente afastados, Giovanni Sforza governando Pésaro e Lucrécia fruindo as orgias nos aposentos de seu pai e de seus irmãos no Vaticano.

Entretanto Giullia perde os favores de Rodrigo como amante favorita e é afastada do Vaticano. Sem a amiga Lucrécia aproxima-se de sua cunhada Sanchia de Aragão esposa de seu irmão Geofredo, filha bastarda do rei de Nápoles. Sanchia tão frívola quanto Giulia, além de servir a Geofredo como esposa, frequentava também a cama de seu cunhado Giovanni, e talvez também a de César. Sforza mal impressionado com a mulher e interessado na separação, acusa Lucrécia de incesto com seu irmãos e até com o próprio pai, acusações que nunca vieram a ser provadas.

Após a morte trágica de seu irmão Giovanni, tendo recaído as suspeitas de assassinato em César, Lucrécia retira-se para um convento aparecendo pouco tempo depois grávida. A paternidade da criança é amplamente discutida até os dias de hoje. Existem rumores de que o próprio César Bórgia engravidou a irmã, e outros dizem que o responsável foi um belo jovem espanhol chamado Pedro Calderón. Calderón era da criadagem do papa Alexandre e era o incumbido de transportar a correspondência entre pai e filha. O certo é que, por algum tempo, ele realmente foi amante de Lucrécia Bórgia, mas não há como provar se ele a engravidou ou não. Calderón aparece morto nas mesmas circunstâncias de Giovanni e mais uma vez César é acusado do crime. Lucrécia deu à luz um menino, a quem chamou Giovanni, que ficou conhecido apenas como "o Infante Romano” Entretanto a paternidade foi reconhecida por César Bórgia, que tinha deixado a vida religiosa.

Lucrécia agora com 18 anos casa com um jovem de 17, Afonso de Aragão, duque de Biscegli. Afonso ouvindo os boatos que corriam sobre Lucrécia acusando-a de cruel envenenadora, que guardava um veneno mortal dentro de um anel, uma mulher frívola que era "filha, mulher, e nora" de seu pai, não estava receptivo ao casamento mas, quando a conheceu, Lucrécia pareceu-lhe inofensiva e não resistindo à sua beleza rapidamente se apaixonou. Lucrécia ficou grávida e a pedido de seu irmão César, vai com o marido para Roma para que lá nascesse o filho que, viria a chamar-se de Roderigo. Mas mais uma vez César tem planos para matar Afonso. Este sofre um atentado do qual consegue sair mal tratado mas vivo. Lucrécia e Sancha fazem guarda ao quarto de Afonso preparando até os seus alimentos, mas num momento qualquer de descuido Afonso aparece assassinado. Lucrécia Bórgia passou à história como a culpada deste assassinato. Dizia-se que Biscegli foi vítima de um de seus venenos, apesar de a acusação não ter fundamento algum.

Em 30 de Dezembro de 1501 Lucrécia casa com o jovem Afonso d´Este filho do poderoso Duque de Ferrara.

Com a morte do sogro em 1505, ela e marido herdaram o ducado de Ferrara. No mesmo ano, deu à luz o primeiro filho, Afonso. A criança morreu semanas depois, mas três anos depois o casal teve outro menino, Hércules. Depois deste, vieram outros filhos: Hipólitho (1509), Francesco (1516), Alexandre (1514), Eleanora (1515), e Isabel Maria (1519). Ela foi boa mãe para todos os seus filhos, inclusive para os que estavam longe dela, como Roderigo e o misterioso Giovanni, "O Infante Romano" Um ano após a sua nomeação como duquesa, Lucrécia fica como regente em Ferrara. Aproveitando a oportunidade mostrou outra simpatia comum de sua família: a vontade de ajudar o povo judeu, criando um édito que proibia terminantemente qualquer tipo de discriminação contra os judeus. Lucrécia em Ferrara formou a chamada "Corte das Letras" Para além de escritores e poetas, na sua corte reuniam-se pintores como Tiziano e Venetto, entre outros. Em 1508, Lucrécia recebe o humanista Erasmo.

Aos 39 anos de idade, Lucrécia está prestes a enfrentar outro parto. Prevendo a morte, enviou uma carta ao papa Leão X pedindo a bênção especial que, não veio a tempo de a encontrar com vida. Morreu rodeada do carinho dos filhos e familiares. Foi uma figura destacada do renascimento, período de grandes acontecimentos culturais intelectuais e políticos. Filha de um homem controverso com muitos inimigos esteve sempre envolvida em boatos e polémicas que nunca foram confirmados. Senhora de uma beleza surpreendente, educação e inteligência refinadas e com grande sentido politico, em Ferrara, foi adorada e apelidada «A Mãe do Povo»

sábado, 5 de setembro de 2009

A Vénus de Canova – Pauline Bonaparte

canova-paolina-borghese

Pauline nasceu em Outubro de 1780 na Córsega, filha de Carlos Bonaparte, de origem italiana, um notável da ilha e Letícia Ramolino, filha de um funcionário do governo genovês.

Pauline era uma das 3 irmãs de Napoleão Bonaparte e a sua preferida.

Belíssima, dona de um corpo perfeito, cintura fina, pés e mãos delicados, um cabelo luminoso e um sorriso com dentes admiráveis, arrasava corações por onde passasse. Caprichosa e sensual, amou e deixou-se amar por homens de todas as condições sociais. Foi por muitos considerada ninfomaníaca, mas sabe-se que tinha um coração de ouro. Aos dezassete anos apaixona-se pelo general Leclerc que tinha 25 anos, com quem vem a casar. Caprichosa e demasiado bela para ser amada por um só homem, Pauline preocupava-se apenas em seduzir e as suas toilettes requintadas, a sua juventude e beleza deixavam os jovens perfeitamente loucos. Todos a queriam nos seus braços e na sua cama. Nos bailes brilhava de entre as outras e as paixões sucediam-se.

Napoleão para acabar com os rumores manda o general numa missão para o Haiti e fim de pôr termo a uma revolta de negros,. Chegado a S. Domingos, Leclerc atacado de febre amarela acaba por sucumbir. Pauline adoece devido ao clima e regressa a Paris. Embora se tivesse curado da enfermidade nunca mais recuperou completamente, o que, não a impediu de continuar a levar a mesma vida de sempre.

Mais uma vez Napoleão decide casar a irmã e agora com alguém que pudesse sustentar o seus luxos.

Assim aos 22 anos Pauline casa pela segunda vez, em Agosto de 1803, com um dos mais ricos aristocratas de Roma, o príncipe Borghese, sobrinho neto do Papa Paulo V. Sem ser belo Borghese era um homem muito rico, senhor de sumptuosos palácios luxuosamente decorados e possuidor de valiosas obras de arte.

Pauline vivia como uma princesa rodeada de jóias, belos vestidos e amantes.

Foi por esta altura que António Canova famoso escultor neoclássico de origem veneziana a esculpiu numa pose onde repousa como Vénus reclinada, com o torso nu, onde se pode apreciar toda a sua escultural figura. Na altura não eram comuns os retratos de nu e não se sabe se terá mesmo posado nua para Canova, uma vez que apenas a cabeça tem características realista (ligeiramente idealizadas), apresentando o torso nu características das formas femininas do período clássico.

As saudades da vida parisiense levam-na a divorciar-se e a regressar a Paris aos salões, aos bailes às caçadas e ás paixões. Paulina adoece novamente e faz uma retirada principesca para Nice acompanhada de toda a sua comitiva. Por fim cansada reconcilia-se com Borghese voltando a viver juntos. Devido à sua vida desregrada, Paoletta, como carinhosamente Napoleão a tratava, morre aos 45 anos sem deixar descendência.

Fonte: www.leme.pt/biografias/b/irmasbonaparte.html