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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ah Pois é!...assim não há empregos...

Enviou-me uma amiga e decidi partilhar convosco.
O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria não sei quantos postos de trabalho.

Vejamos o que acontece em Portugal

O António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt),
começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.
Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa20(Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.
Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Globalização - Mia Couto

Discutiam os camponeses

Vi uma pedra fumando água, disse um.
Impossível, ripostou o outro.
Aqui só os rios é que bebem fumos.

O geólogo ouviu e disse: é preciso
desentortar as palavras dessa gente!

O antropólogo argumentou
em defesa de uma lógica,
pura e mágica
não tocada por ocidentais impurezas.

O político chegou e disse: é preciso
despalavrar os que sofrem de excesso de alma

O que fizeram os camponeses?

Venderam
falsas amostras
da pedra mágica ao geólogo.

Cozinharam
umas tantas ingenuidades
para encantar o antropólogo.

Por fim,
filiaram-se no partido político
que mais luta contra o campesinato

Mia Couto em: idades cidades divindades





Mia Couto nasceu na Beira , Moçambique, em 1955. Foi jornalista e é professor, biólogo e escritor. Está traduzido em diversas línguas.
Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação, por um júri criado para o efeito pela Feira Internacional do Livro do Zimbabwe, de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século XX), foi galardoado, pelo conjunto da sua obra, com o prémio Vergílio Ferreira 1999 e com o Prémo União Latina de Literaturas Românicas 2007