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quinta-feira, 23 de abril de 2009

A senha da revolução - Grândola Vila Morena


A partir do momento em que ficou assente que para o arranque do movimento militar seria necessária uma senha transmitida através de uma estação de rádio com efectiva cobertura nacional, as escolhas não eram muitas. Foi escolhida por exclusão de partes, a Rádio Renascença e dentro desta o "Limite", um programa independente.

Como não acontecia com qualquer outro programa de rádio, o "Limite", que era transmitido em directo, era alvo de duas censuras: uma que era a da própria Rádio Renascença e a outra a oficial, instalado na Renascença exclusivamente para actuar sobre o "Limite"

Foi o capitão de fragata Almada Contreiras, quem teve a ideia de se usar a canção Grândola, Vila Morena, da autoria de José Afonso (1929-1987) como senha radiofónica para o início das operações no dia 25 de Abril. Tinha-se primeiro pensado numa outra composição de José Afonso, eventualmente mais revolucionária, Venham Mais Cinco, mas Carlos Albino, jornalista do República e responsável pelo programa de rádio Limite, da Rádio Renascença, informou de que tal não seria possível, porque a canção estava proibida pela censura interna dessa estação de rádio. Almeida Contreiras sugeriu então que se passasse Grândola, Vila Morena, cujo texto salientava os valores da igualdade e da fraternidade.

José Afonso escreveu a canção Grândola, Vila Morena em 1964, quando actuou na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. Ao travar conhecimento com alguns membros dessa agremiação, apercebeu-se de que era comum que, por exemplo, um dos habitantes da pequena vila de Grândola, no Alentejo, adquirisse um livro e depois de lido o pusesse à disposição de outros, para que também o lessem; daí o sentimento da solidariedade perpassar por todo o texto da canção.
A proposta foi aceite e às 0h20 do dia 25 de Abril Grândola, Vila Morena ouviu-se no programa Limite e, a Revolução aconteceu



3 comentários:

Marco Sistinne disse...

Olá Mikasmi, li seu comentário no 7 mulheres e resolvi conhecer o teu espaço, parabéns pelo blog, voltarei
aqui com mais calma para revê-lo.

abraços literários
Marco Sistinne
Bula Literal

Juan Trasmonte disse...

Que maravilha, Emília! Não conhecia essa história da senha.
Muito legal. Esta data já ultrapassou a história de Portugal para fazer parte da história da humanidade.
abs.

MGHORTA disse...

Pena que tudo tenha agora uma importância zero.
Sabemos que foi importante, mudou-se muito, mas ficou muito por fazer.
Pela Vila Morena não ter sido amplamente implatada neste país tão pequeno e tão lindo.

Bom argumento e bos vídeos.

Parabéns Mikas.