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domingo, 14 de dezembro de 2008

Existe vida para além do ranking?

Há já algum tempo, vínhamos burilando a ideia de partilhar uma notícia, fruto das nossas longas conversas no msn, onde descobrimos muitas coisas em comum e, uma delas, tinha a ver com a maneira como nos posicionávamos no dihitt
Desta vez o João renovou o convite, e eu aceitei. Viemos até aqui dar-vos a nossa visão das coisas.
Eu confesso, estive muito envolvido com posição no ranking, mas posso afirmar que me fez mal, fiquei obcec
ado, passava em media seis horas á frente do computador sentia necessidade de comentar, queria ver minhas noticias como populares, já estava até á perder minha identidade, mas isso foi me estressando, e tive que repensar.
De que vale ficar escravo, deixar tudo de lado para conseguir ser o melhor?Foi então que tive que parar, ou diminuir, e olhe que nem cheguei á postular as primeiras posições, fui o sétimo, mas estava totalmente obstinado queria
subir, e na verdade isso é uma grande bobagem, é apenas uma massagem no ego, de um teor narcisista, acredito.
Tenho tantos amigos aqui, por que desejar ser melhor que eles? Ou mostrar ser?Hoje despenquei no ranking, mas conquistei uma coisa que já não mais sentia o sabor, um belo papo, pelo msn, com tempo, sem aquela angustia por saber o que está passando lá no diHITT.

Eu amo esse ambiente, mas prefiro ter minha autonomia para poder estar lendo uma notícia, às vezes relendo, para que então eu possa estar comentando, essa magica que encontro aqui, confesso, eu tinha perdido, eu queria subir, (deixei a hipocrisia guardada), eu queria subir ao topo, mas posso afirmar, é uma tolice.

Para que sejamos ouvidos, precisamos ser autênticos, falar de coisas que gostamos, dominamos, nunca jamais seguir as tendências, á menos que desejemos ganhar dinheiro, mas esse também não é meu objetivo, não tenho esse talento.


O João foi das primeiras pessoas que conheci, aturava as minhas ansiedades em relação a tudo que aqui se passava, com a tranquilidade que lhe é peculiar.

Muitas horas passámos comentando as nossas notícias, ansiando para que fossem populares, tecendo mil conjecturas sobre o funcionamento desta rede social que nos cativou, a ponto de se tornar uma obsessão.

Cheguei ao 24º lugar do ranking sem me ter apercebido, foi um amigo que, ao dar-me os parabéns, me alertou para o facto. A partir de aí fiquei mais desperta e participativa, mas comecei a sentir-me escrava do sistema. Tinha que, diariamente votar, e comentar, para não perder a posição, e à medida que ia subindo, ia-me viciando cada vez mais.
A tal ponto que, quase organizei a minha vida em função do dihitt. O blog ia-se descaracterizando, uma vez que, não tinha tempo para preparar notícias. Até que, se impôs que eu fizesse uma reflexão sobre o estado das coisas. Quando decidi pertencer a um site social, nunca me imaginei vir a sentir prisioneira. Não nego que tenho prazer em ver o meu blog bem posicionado. O blog, corresponde de alguma forma, a um trabalho que realizo, e que, os meus amigos sancionam com o seu voto.

Mas o lugar no ranking é outro assunto, tem a ver com a disponibilidade mental e de tempo, para ler um significativo número de notícias e comentar quase exaustivamente. Decididamente não era bem isso que eu queria.


Concordo com você Emilia, afinal, qual o verdadeiro sentido do diHITT para você?

Eu vejo esse ambiente como uma grande ferramenta para que possamos implementar um novo conceito de cidadania, juntarmos as pessoas, criarmos uma unidade, enfim, eu quero mudar o mundo, ainda não deixei esse ideal escapar, já paguei um valor altíssimo para chegar até aqui, e finalmente vejo todas as condições enfim criadas, essa é a hora, vamos fazer desse mundo um lugar mais justo, se menos injusto já estarei satisfeito, sei que sozinho certamente serei apenas um quixote, lutador solitário, que invariavelmente me perderei em uma loucura solitária, mas acredito que se juntarmos pessoas em torno de um ideal, aí sim faremos acontecer, com pequenos gestos, podemos construir grandes obras, conscientes que ninguém estará sozinho, e que a cada gesto nosso não deveremos ficar pensando que tal atitude é muito pequena, pode até ser, mas quando somadas á outras e outras, poderemos ver a extensão do feito, somos sim, o que acreditamos ser, devemos ver essa vida como uma grande oportunidade que nos foi dada, para que não apenas passemos por ela, sem deixar nenhum feito, por isso o fato de sermos egoístas, querermos todo o mundo só para nós é um sentimento pequeno, que em nada enaltece nossa passagem.

O dihitt é o lugar apropriado, em língua portuguesa, é capaz de reunir em um ambiente, uma legião de pessoas com cultura semelhante, brasileiros que um dia deixaram a pátria em busca de uma vida melhor, portugueses que colonizaram nossa nação, angolanos, e mais uma incontável legião de pessoas, que a meu ver, podem sim estarem engajados nessa batalha, eu reafirmo que amo o dihitt, mas a ambição pelo ranking, felizmente é coisa do passado, me fez mais mal que bem.


Tens razão João, o dihitt é um excelente meio de socialização, com gente fantástica, muito humana e de grande qualidade, e por quem eu tenho imenso carinho. Dizer que é uma família é banalizar, porque na verdade é bem mais do que isso. As famílias não se escolhem e nós aqui escolhemos os amigos.

Estou aqui pela troca de ideias, o saber mais, partilhar o que sei com os outros, comentar as boas notícias que vão aparecendo, receber comentários, tudo num ambiente saudável e não competitivo que, a meu ver, é a verdadeira razão de ser do dihitt.
O que quero acima de tudo é um blog que vá crescendo em qualidade, e o dihitt é o local ideal para eu fazer essa aprendizagem.

Penso também que haverá pessoas, que, tal como eu fiz, usam o dihitt como tábua de salvação para esquecer outros problemas, ou preencher vazios. Se o dihitt satisfaz essas carências, se as horas aqui passadas têm como prémio um lugar de topo no ranking, isso pode traduzir-se num fortalecimento da sua auto-estima e nesse sentido já é uma mais valia. Não me quero envolver de uma forma compulsiva, não posso esquecer que, há um mundo lá fora à minha espera e que o tempo passa, e o ranking não me dá mais do que uma satisfação fugaz.

Liberta dessa obsessão, estou mais tranquila, mais espontânea, e com uma participação mais positiva, gozando mais o dihitt, porque sou mais eu, livre e descomprometida.

10 comentários:

ju rigoni disse...

Admiro seu desprendimento ao dividir suas reflexões com os amigos virtuais. E, sim, você tem razão: a vida não é só dihitt, só blogues, só internet... É preciso não perder-se da realidade do dia-a-dia, ainda que estejamos cercados por essa "encantadora" vida virtual...

Um grande bjo e inté!

Jorge C. Reis disse...

A Ju tem razão.
A vida não é só Internet... mas a Internet tem vida, o que por vezes nos confunde. E nos absorve.
Há que saber parar ou dosear.
Abr
Jorge


PS: este seu post não tem título o que impede a sua indexação.

joao Assis disse...

Emilia,
foi muito enriqueedor estar fazendo esse trabalho em parceria,a exposição das idéias é uma coisa que precisa fazer parte do nosso cotidiano,achei que ficou muito legal.
Um forte abraço,amiga.

Daniela Figueiredo disse...

Parabéns pelo post, Emíia e João!
Deixarei o mesmo comentário que deixei lá no João, sobre o ranking. Até entendo esta obsessão de estar entre os 25 colocados: o destaque no meio da multidão. Mas destaque em quê? As pessoas não estão entre os primeiros apenas por escreverem bem, estão porque comentam muitas notícias, leêm muitos blogs, votam muito, ou seja, vivem para o computador. E que grandioso há em viver para o computador? Em deixar de fazer algumas atividades prazerosas, como ir ao cinema ou teatro, tomar um chope com os amigos ou mesmo ler um livro? Sabe que tenho muitos livros para ler, mas como passo uma boa parte do tempo na frente do computador, não tenho tempo para lê-los, e isto já começou a me preocupar, tenho que organizar meu tempo, saber dividir minhas atividades e não ficar só por estas bandas. Também sou viciada em notícias, o diHITT vicia, mas como comentei em outro post, o que comemoro é quando uma notícia minha está entre os mais votados e comentados, pois foi algo que escrevi que agradou (ou não), que "mexeu" com o leitor. Esta obsessão pelo ranking nos faz questionar a nós mesmos: por que é tão necessário e tão desejável para mim querer este tipo de destaque?
Beijos pra vocês.

Balinha* disse...

Parabéns. Tem gente que nem largar disso, larga.

Wander Veroni disse...

Oi, Emília! O mais engraçado é que acabei de ir lá comentar no blog do João e quando abro o dihitt vejo a sua notícia como popular. Não resisti e fui lá comentar também.

O dihitt é uma rede social muito legal, feita sob medida para os blogueiros. Claro, o ranking é bacana pois ajuda a dar visibilidade ao trabalho, Mas não podemos fazer dele uma meta de vida...hehehe. Vcs foram muito felizes nessa análise. O melhor é ir comentar o blog do outro e do outro e assim criar uma rede de amigos-leitores onde um vai conhecendo o trabalho do outro e divulganod também, porque não!?!

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

João disse...

Emilia,

Complementando o que escrevi no espaço do João,acrescento que é normal entusiasmarmos e deixarmos levar por algo novo e fascinante,como é entrarmos no ranking dos primeiros do diHITT,e ficarmos hipnotizados pela exigência de o mantermos.

Mais cedo ou tarde,muitos passarão por este fenómeno,e ainda mais por ser prazenteiro de estar nesta comunidade de tanta qualidade.
E com o tempo passando,dependendo de cada um,acontecerá que a consciência do excesso de tempo e preocupação retira prazer,pois torna-se obrigação,impedindo de respirar-se outros ares,levando a uma actuação mais normalizada por aqui.

O que leva muitos ao ranking é a possibilidade de dar-se a conhecer,o ranking como é limitado a 25,obriga a um dispêndio de participação competitiva excessiva,e com a criação de uma lista de 100 usuários,talvez essa energia seja aliviada,pois nela muitos figurarão,e sem este esforço de tempo,cansaço e compulsão.

Abraço amiga,
joao

Mauricio disse...

Prezados Emilia e João
Vejo muitos dos amigos que fiz por aqui comentando a postagem de vocês que endosso integralmente. Falam muita coisa que eu já gostaria de ter dito.
Postar lixo, comentar lixo, votar em lixo apenas para subir em rankings apenas serve para denegrir a nós mesmos.
Desde o momento em que entrei no diHITT meti na minha cabeça que não poderia me desviar da linha que tracei para o meu blog, sob pena de mutilá-lo e perder um trabalho legal que venho desenvolvendo há algum tempo.
Penso que esta postagem serve para refletirmos sobre o real escopo do diHITT: o que é mais importante? competirmos entre nós postando e comentando um monte de merda que apenas irrita ou fazer aquilo que todos gostamos, ou seja, postar notícias e matérias interessantes, buscando fomentar o conhecimento e dar satisfação aos amigos, gerando comentários interessantes como mera consequência de nossas postagens?
Penso que os membros sensatos do diHITT naturalmente escolhem a segunda opção...
No início fiquei realmente obcecado, postando no meu blog notícias cosméticas, superficiais. Quase parei de produzir textos de minha própria lavra...
Hoje voltei às minhas próprias origens e, voilà, com meus próprios textos, sejam de viés jurídico (o meu forte), político, ambiental ou minhas filosofagens, não só estou mais feliz como tenho feito mais e mais amigos por aqui.
Qual a lição que extraí? Quero manter minha honestidade intelectual, procurar brindar meus leitores com alguma coisa de qualidade que eu mesmo escreva e, além de tudo isso, continuar a integrar esta comunidade que tem de tudo para ser especial e que tenho o máximo orgulho de integrar, pouco importando o que sou, o que faço ou o que represento.
Aqui somos o que apresentamos em nossas postagens, mada mais do que isso. Nossas credenciais são uma foto, palavras, postagens e comentários. Nada mais.
E isso, certamente nos dá grandes lições para encarar a vida lá fora.
Desta forma, porque ficarmos concorrendo entre nós numa luta ingrata quando podemos unir forças neste objetivo comum que é o aprimoramento de cada um para enfrentar os óbices do mundo exterior. Gente, penso que o que interessa não é o ranking do diHITT, mas o ranking da vida,
Deixemos de nos preocupar tanto com o ranking daqui para termos melhores lições para o ranking lá de fora.
Um abraço e boa semana para vocês.
Mauricio

Ropiva disse...

Excelente post!
O assunto "ranking" virou funcionário-padrão, todos dos dias bate ponto por aqui. Isso me desestimulou muito a ponto de diminuir o uso do diHITT por não aguentar algumas insinuações de que o ranking era manipulado, etc, etc. Nunca tive por objetivo chegar ao primeiro lugar, mas tive o objetivo de sair dele pq isso estava me fazendo mal. Como disse o Oscar Luiz, parece que o ranking virou um concurso para um carro zero km! Uma bobagem!
Se todos pensarem no próposito do site que é o de trocar idéias, divulgar seus blogs e conhecer gentes de todos os lugares e com diversas opiniões a coisa volta a ter o mesmo prazer de antes.
Parabéns pela matéria conjunta, João e Emilia!
Abrações

Sandra disse...

Puxa, legal. Acabei de entrar no diHITT e o post serviu como alerta já que amo a internet e sou sensível a cair neste "vicio".
abs
Sandra