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domingo, 4 de janeiro de 2009

Circuito cerebral do amor – O amor é uma droga?

O que é o amor? O que nos acontece a nível cerebral quando estamos apaixonados? Terão as emoções uma explicação fisiológica? O processo que as desencadeia terá origens distintas consoante o sexo?
Helen Fisher, antropóloga a nível mundial, observou quarenta pessoas loucamente apaixonadas e foi à procura do circuito cerebral associado a esta paixão. Detectaram actividade em algumas regiões cerebrais muito primitivas, associadas à motivação e não às emoções. Isto leva a crer que o amor romântico é, antes de tudo, um instinto que se desenvolveu há milhões de anos para motivar os nossos antepassados a focarem a sua energia na relação apenas com uma pessoa de cada vez e assim preservar o tempo e a energia do acasalamento.
Tudo o que pensamos, sentimos e fazemos está associado à química cerebral. Sendo assim o amor romântico é certamente químico. Mas a química origina experiências poderosas.
Quando o amor acontece os níveis de dopamina aumentam, provocando-nos sentimentos de exaltação, energia, desejo, atenção focada no ser amado e uma intensa motivação para conquistá-lo. Provavelmente os níveis de serotomina também diminuem, dando origem ao pensamento obsessivo tão característico do amor.
Os indivíduos apaixonados apresentam muitos dos traços comportamentais das pessoas viciadas. Desejam a pessoa amada, mudam o seu comportamento quando estão perto dela, aumentam a sua tolerância em relação a essa pessoa (e então precisam de vê-la, mais e mais), têm uma espécie de síndrome de abstinência quando não estão com ela. E mesmo quando abandonados pelo companheiro podem ter uma recaída.
Em todo o mundo pessoas entram em depressão quando são rejeitadas.
Há também situações em que as pessoas perseguem o parceiro que as rejeitou.
A rejeição romântica pode causar problemas mentais graves que podem ir até a um comportamento criminoso.
Há diferenças na forma como o homem e a mulher se apaixonam. Os homens revelam mais actividade em regiões cerebrais associadas a estímulos visuais e erecção peniana. As mulheres, por sua vez, tendem a revelar mais actividade cerebral em regiões associadas à emoção, atenção e memórias.
Um dos ingredientes que despertam a atracção é o timing. O timing é importante para que homens e mulheres se apaixonem. Temos que estar prontos, disponíveis. A proximidade também é importante. Também tendemos a apaixonar-nos por pessoas com os mesmos antecedentes, valores, interesses, o mesmo nível de inteligência e boa aparência.
Mas o mais importante, homens e mulheres tendem a apaixonar-se por pessoas que se enquadram no «mapa do amor» uma vasta e inconsciente lista de traços que procuramos no nosso parceiro. Diz-nos Helen Fisher que esses mapas individuais se desenvolvem durante a infância e vão-se modificando ao longo da nossa vida, mas é ele que nos guia na busca por um parceiro.

4 comentários:

O bEM viVER disse...

Emília,

Muito interessante! E intrigante também. mas a paixão realmente "faz coisas". E desencadeia sentimentos inimagináveis. São inúmeras atitudes, que vez ou outra presenciamos. Tanto para o lúcido quanto para a loucura.

Abraço,

Lena

Alterado disse...

Sabe Emília , toda vez que vejo a ciência caminhando para desvendar a reações bioquímicas que acontecem silenciosamente dentro do nosso organismo ,fico com a neura de criarem uma droga sintética do amor ou da felicidades , por um aldo isto parece muito bom , mas meu receio fica se estas drogas tornarem as pessoas viciadas.Logo sentimentos puros e superiores teriam menos valor ainda ,frente ao que pode ser encontrado na farmácia !

Parabéns pelo artigo

abraços

Beth disse...

Renato Russo fez uma composição, um recorte da poesia de luiz de Camões e o apóstolo Paulo, chamada "monte castelo". Para mim é a melhor definição do amor, que diz:

"Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria..."

Se isso é droga, sou usuária, rsrs
Beijo Emilia

Thales disse...

Acho dificil fabricarem uma droga para deixar as pessoas apaixonadas,isso seria um absurdo visto que forçaria o corpo a sair de seu estado normal, nunca daria certo... agora se desenvolvessem uma droga para fazer pessoas que se encontram por algum motivo , impedidas de sentir esse sentimento a 'paixão' , como nos casos em que há grande inibição motivacional , acho bem apropriado.A ciência deveria caminhar por esses lados, o de consertar, não o de provocar!